Vale a pena apostar em uma dieta low carb?

30 de agosto de 2018

Natalia Figueiredo

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A dieta Low Carb é baseada em uma estratégia de redução do consumo de carboidratos simples na alimentação, como arroz branco, macarrão e pão para emagrecimento. Essa reeducação alimentar de fato funciona tanto para quem procurar perder peso, quanto para diabéticos ao priorizar os carboidratos de baixo índice glicêmico. Mas está longe de ser unanimidade entre os experts.

Na última semana, foi divulgado uma pesquisa que sugere que a redução do consumo de carboidratos pode diminuir a expectativa de vida da população em até quatro anos. Um estudo realizado nos Estados Unidos com 15 mil pessoas indica que um corte moderado no consumo de carboidratos – ou a troca de carne por proteínas e gorduras vegetais – é mais saudável. A pesquisa se baseou em relatos dos participantes sobre a quantidade de carboidratos que comiam.

A partir disso, os cientistas estimaram a proporção de calorias que recebiam de carboidratos, gorduras e proteínas. Depois de acompanhar o grupo por uma média de 25 anos, os pesquisadores descobriram que aqueles que obtinham entre 50% e 55% de sua energia oriunda de carboidratos tinham um risco ligeiramente menor de morte quando comparados com aqueles com baixo e alto consumo.

O que dizem os especialistas

Para a nutricionista Natalia Casanova, mestre em Nutrição Humana e vegetariana, sem dúvida uma alimentação balanceada é sempre o melhor caminho. Pois, não se deve reduzir drasticamente o consumo de nenhum grupo de macronutrientes, ou seja  carboidratos, proteínas ou gorduras. Todos têm sua função no organismo. O que devemos escolher são boas fontes de carboidratos, de proteínas e de gorduras.

“A dieta com menos carboidratos pode ajudar a regular os níveis de insulina, pode ser benéfica para alguns atletas (dependendo da modalidade e da fase do treinamento), pode ajudar a controlar compulsões alimentares e também ajuda na perda de peso. Mas dietas da moda (sem supervisão de um profissional) muitas vezes levam a distúrbios alimentares, compulsão alimentar, carências de nutrientes e outros problemas de saúde, como distúrbios hormonais (hipotireoidismo por exemplo)”, explica.

Proteínas animais ou vegetais

Os cientistas compararam dietas de baixo carboidrato ricas em proteínas e gorduras animais com aquelas que continham proteínas e gorduras à base de plantas. Eles descobriram que comer mais carnes bovinas e queijo no lugar de carboidratos estava relacionado a um risco maior de morte. Mas a substituição de carboidratos por proteínas e gorduras de origem vegetal, como legumes e nozes, foi, por sua vez, associada a uma ligeira redução desse risco.

Os carboidratos são vilões?

Para Natalia Casanova, os carboidratos passaram a ser vistos como vilões por questões de marketing. A nutricionista destaca a importância de entender os tipos de carboidratos existentes. “É óbvio que o aumento nos casos de diabetes e obesidade está relacionado ao aumento do consumo de açúcar, mas açúcar é totalmente diferente dos carboidratos provenientes de frutas, legumes, leguminosas e alimentos integrais. Entender o tipo de carboidrato e o momento certo de consumi-lo é o importante para manter o peso e a saúde em dia. Reduzir o consumo de carboidratos pode levar à perda de peso, mas muitas vezes essa perda chega num platô, ou não é sustentável, pois quando a pessoa volta a comer, ela acaba ganhando todo o peso que perdeu (ou mais), porque ela não aprendeu a comer bem”, finaliza.


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